Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Nunca fui a praia.

Primeiro dia de verão :)

21cf03d7f1ec26dfae5fac5624fc38b8.jpg

É a meta para este ano, sem olhar ao tamanho do biquini. Ir pela primeira vez a praia. Para quem achar estranha esta situação, basta ter noção da realidade do interior. Aqui ir de férias é um luxo, o mar fica muito longe, e as férias a que se tem direito no emprego usam-se para fazer as colheitas da azeitona, da amêndoa e até mesmo da vindima. Em muitos casos, é pelo dinheiro extra que entra, outros é pela disponibilidade para se aproveitar o que se tem. Mas este ano, dada a saída de casa dos meus pais e a curiosidade que tenho, e tempo também vou ter de certeza....este ano vou finalmente a uma praia de mar!

Foda-se.

tumblr_pjgl4nbYZa1w620i9o1_500.jpg

Não há cá mas nem meio mas.

Foda-se para quem ameaça cobardemente pelo messenger, whatsapp e afins.

Foda-se para quem teima em medir peito com a chefia só porque é mulher.

Foda-se para o tentar meter medo como via de se conseguir o que quer.

Foda-se para o constante ter que provar o que se vale porque se é mulher, não poder perder a postura ou lá se vai o respeito, ter que se explicar o porque sim.

Foda-se.

Um colega ameaçou-me com porrada só porque não foi incluído na equipa.

Já o tinha feito antes.

Tem um histórico de violência doméstica, teve 13 queixas e apanhou pena suspensa.

Vivo sozinha e tenho receio.

E perante isto, porque a justiça já devia ter castigado este tipo, só digo...

O reverso da medalha.

IMG_20200218_162958.jpg

Aproximam-se tempos dificeis.

A crise de que o Presidente Marcelo falou recentemente, a tal crise que ainda não se notava muito no Douro...

Daqui por diante vai notar.

Com o cortar das pontas na vinha, acaba o grosso do trabalho, até a vindima.

Boa parte da mão de obra vai parar, e este ano não há os empregos de verão que muitos colegas arranjavam, porque o trabalho é sazonal mas a vida faz-se todos os dias.

Temo pelas dificuldades que muita gente vai passar.

Antes do confinamento, éramos 23 pessoas a trabalhar.

Durante, o mínimo fomos 7 e o máximo 10.

Presentemente, e já com o trabalho a mingar, somos 14.

Sinto que toda a gente olha para o lado, sinto que há um real receio de ser mandado embora.

Ninguém anda feliz com a perspetiva de ficar sem trabalho.

E nós, somos aquele complemento ao dito pessoal da "casa" nas quintas, chamam se necessário, e em maré de contenção de custos, somos um luxo que se evita.

Não há dinheiro.

Há reduções de benefício, há crise real a espreita, há ansiedade.

Há medo. Muito medo.

Acho que mais do que nunca, o Douro tem que resistir porque por muita mecanização, o Douro é e será as pessoas.

E as pessoas do Douro querem trabalhar.

Desabafo ao fim do dia.

6803ff75efc47f19cd69a25145fcc26837679005_00.jpg

Há coisas que só uma mulher sabe.

São as mulheres que carregam o mundo nas costas.

Somos a força motriz, na retaguarda durante tanto tempo e agora, mais do que nunca, perdemos o medo de pegar nas rédeas desta porra toda.

Somos mais do que a maquilhagem, o rabo empinado e os saltos. Somos isso tudo e muito mais num compacto de coragem andante.

Somos destemidas.

A coragem e a sagacidade é algo que trazemos já no adn, já nascemos como que avisadas que o mundo não vai ser nosso amigo.

Porque o mundo ainda não é um lugar bom pra se ser mulher.

Escrevo isto num exercício de auto-motivação, eu que durante tanto tempo dizia aos meus pais que queria ser homem para poder ser livre.

Afinal bastou sair lá de casa. 

Só tenho irmãos e de momento só trabalho com senhores. E não, não me sinto uma princesa. Mas sou tão ou mais feminina do que a profissão me permite.

Aliás...já levei com esse mito.

Tive pessoas que achavam que eu era meio-arrapazada. Depois vêm-me de cor de rosa, de brincos e toda a aparência de gaja boa que sou.

Afinal tudo é conciliável!

Só há uma coisa em que invejo os meus colegas: a facilidade com que podem fazer xixi no campo.

Eles é virarem as costas e bota largar águas.

Já eu, é andar km atrás de um sitio onde  possa...sem ter mirones.

Já eu, sou mulher no meio deles e não me posso queixar que não me respeitam, bem pelo contrário, sempre pedi que não me tratassem com cerimónias por isso. Estou em igualdade, vá, sou a chefe.

E como digo tantas vezes a minha mãe...coragem, mulherada! 

Isto não anda fácil...

 

 

Porque ás vezes não dá.

12236292954_d005f762ce_b.jpg

Estou cansada e sem vontade de sorrir.

Pesa-me o cansaço do dia que já percorri e o que ainda falta. Pesa-me as coisices dos outros e as minhas. Pesa-me o mundo nas costas.

Sinto-me só.  Dá paz mas é tão triste.

Há uma serenidade na tristeza que é quase mórbida. A tristeza não é momentânea, como a raiva. É companheira, vai ficando.

Se a alegria sabemos que é efémera, a tristeza parece infinita. E vai embora mais depressa do que se espera. Felizmente.

Não me apetece regatear abraços ou conversas. Só quero estar assim, na minha, sossegada, a ver se aparece uma inspiração súbita para o jantar.

Está tudo bem. Estou só cansada.

Sobre o verdadeiro amor.

image_content_1633280_20180725203147.jpg

Se há coisa da qual não me posso queixar é de ter um trabalho entediante. 

Bem pelo contrário.

Às vezes até preferia que fosse mais calmo, mas quando penso ter acertado na fórmula e estar aos saltinhos porque desta é que é ,e agora é que vão ver o que é trabalhar e...vai tudo por água abaixo.

Se não fosse tão teimosa já tinha mudado de vida.

Ou se não gostasse tanto da terra, da sensação única de ver crescer, colher o fruto de uma campanha inteira, de uma jornada que começa na poda e acaba em festa nas vindimas.

E a paisagem. O cheiro da terra molhada, o assobiar do vento nos ferros da vinha, as cores da vinha nas diferentes estações do ano, nos diferentes estados fenológicos.

O sentido de responsabilidade. 

Ter a capacidade de ensinar e aprender, saber lidar com diferentes personalidades, ser tenaz e sagaz, mas sobretudo, teimosia.

A vida na vinha é feita sobretudo de teimosia e muita da história do vinho se deve a grandes apaixonados que também são teimosos.

Sem acreditar não se chega a lado algum.

E independentemente de como as coisas corram, apraz dizer que sou tremendamente apaixonada por aquilo que, mais do que o meu ofício, é a minha paixão.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

  • Em segredo

    27 Outubro, 2020

    Porquê... Porque é que a vida te leva para longe dos meus braços, a cada dia que amanhece? (...)

  • Atão, como é?

    16 Julho, 2020

    1_"sou homem peludo avantajado e procuro so rapariga de maior idade do alentejo para prazer (...)

  • Tu.

    14 Julho, 2020

    Deixas-me sem jeito. Tropeço nas palavras, nos meus próprios pés, na minha timidez. O (...)

  • E tu, e esse teu charme...

    15 Maio, 2020

    A facilidade com que me entrego a ti é irrisória. Não precisas de me tocar para te querer, (...)

  • Para o jeitoso do fim de semana passado, mais um q...

    12 Maio, 2020

    Passei boa parte da noite assim, a ver-te dormir, estudando-te os traços da fisionomia por (...)

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D