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Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Sinto-me só...

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Vejo toda a gente a minha volta ocupada com as suas vidas e nem consigo sequer desabafar.

Funciono muito por instinto e noto logo quando as pessoas estão enfastiadas com a conversa.

Por isso evito falar.

Por isso tento fazer rir para não choramingar, tento pôr todos ao meu redor um um pouco melhor tentando tirar reconforto daí também.

Sou orgulhosa demais para ligar a mãe a pedir colo e ao pai a pedir um pouco da força que lhe é tão característica. Só para não os ouvir dizer: eu avisei.

Não me arrependo de ter saído de casa. Nem por um bocadinho. Mas há situações em que somos realmente postos a prova e olha agora a vida a testar-me e que teste bem duro...

Dei conta da minha imaturidade em tanta coisa...

Afinal não sou tão forte assim..

Afinal a solidão também me custa, também choro mais ou menos abertamente, também tenho momentos bons por entre a estadia na fossa, também sou humana...

Afinal crescer não é tão fácil como julgava. E eu que tinha tanta pressa de ter 18 anos....

Aproveitar as ilusões, não é?...

No lugar dos outros..

 

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No lugar dos outros, somos os maiores..

Tomamos a dianteira da vida deles e qual problema, qual carapuça, vai tudo na frente!

Doença? Dr. Google ensina, explica e cura!

Drama? Um livrinho de auto-ajuda e os conselhos do Goucha e vai ver que não é nada!

Falta de dinheiro? Uma mézinha e tal...feito!

E uns óleos essenciais para acalmar a neura, uma baba de caracol para o rostinho, que você nem com uma plástica ficava bonita mas pronto...

Haja mais empatia e menos bagatelas.

Mais atenção e menos bitaites.

Saber estar quer-se e é bom..

Não é ter pena, não é coitadinhice, é ajudar, ser generoso. Sem tretas.

Vamos ser realistas.

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Não pode haver ilusões.

Agora fala-se muito da depressão pelo que sucedeu com o Pedro Lima.

Agora.

Depois há-de vir outro drama que leve a nossa sensível piedade para outra direcção.

Falar das coisas sem sentir é meramente debitar bagatelas.

Tanta gente sem saber o quão horrível é ter um ataque de pânico.

Ou pensar em suicídio e tentar imaginar o mundo depois de nós e ver que afinal somos o mesmo que nada.

Sentir uma tristeza sem fundo e vinda do nada, não ter perspetivas, não ter vontade de nada.

Viver a vida sem a sentir .

Oxalá que tanta gente que li a opinar e a lamentar nunca passe por isso.

Ver na morte a única libertação possível de algo que não tolhe mas prende, vai mas volta, e quando volta é cada vez mais forte. Até levar tudo.

Parem de opinar. Criem linhas de apoio, façam com que a depressão seja levada mais a sério.

Ainda há quem zombe de algo tão...mau.

Mas a maré vai passar. A poeira vai passar e a piedade irá parar ao próximo drama.

Não se vai aproveitar a oportunidade, vai haver mais Pedros anónimos, vai continuar a haver suicídios.

Porque a depressão simplesmente não passa, vai passando.

 

 

A compulsão.

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Desde que me lembro de ser gente, que me lembro de me sentir triste.

Um estado melancólico quase permanente, pesado, que me levou a procurar fuga da realidade. Ou reconforto.

Foi então que surgiu a minha compulsão pelo açúcar. Sempre que me sentia triste, ou zangada, ou simplesmente sem ânimo, umas colheradas de açúcar amarelo e ficava tudo bem.

Com o tempo o açúcar já não chegava e então basicamente eu era um sorvedor de comida. 

As voltas da vida levaram a que tivesse acompanhamento psicológico em alguns momentos da adolescência.

Para boa parte das pessoas a minha volta eu era ( e ainda há quem ache) doida. Maluca mesmo.

Já tive ideias suicidas. Já fui completamente abaixo. Já me apontaram vezes sem conta o dedo.

E o mais assustador é saber que pessoas como eu acabam mesmo por se suicidar. Percebi isso pela leitura de cartas de despedida.

Mas eu até gosto de viver. 

O problema é este fardo permanente.

Resolvi falar disto como um alerta, para se estar atento a quem está a nossa volta. Nem sempre o aparentemente bem é assim na realidade.

E sobretudo, parar de apontar o dedo.

Só quem está na situação é que sabe o quão doloroso pode ser.

 

 

 

 

A dor.

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Que vontade de chorar...

Doi-me cada osso do esqueleto, cada sentido, cada milimetro de pele.

Doi-me a vida que me pesa, a dor que não cessa.

Doi simplesmente, sentir faz doer e queria deixar de sentir.

Mesmo sabendo que tudo passa.

É nestas alturas que Pessoa e Florbela Espanca parecem me sorrir, é nestas alturas que me afundo na escrita de ambos, que os entendo.

É nestas alturas que a minha aura noir se acentua.

Nada me sai bem. Tento pensar em avançar, dar a volta mas dou por mim emaranhada numa teia invisível mas bem perceptível.

Que marasmo.

A única coisa que resta fazer é encarar o problema até ter vislumbre da solução. E o problema é que me sinto...deprimida.

 

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