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Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Against Bárbara

 

Três dias em casa sem conseguir ir para o campo e sinto-me a beira do colapso.

Três dias a olhar para as paredes, sem ânimo, com atenção triplicada as previsões do estado do tempo.

Três dias a ouvir agoirentos, a tentar não me passar, a implodir internamente para não perder a postura. E a revolta é maior quando acabam por ter razão.

A chuva vence. O trabalho não se faz e não há encaixe financeiro.

Fica a frustração e a raiva. 

Não é justo querer levar o barco para a frente e haver barreiras.

Não devia haver obstáculos para os obstinados. Não devia, simplesmente.

Por um lado tenho orgulho da minha natureza determinada.

O outro lado é não ter seguidores.

Mas espero que os meus colegas percebam a tempo que a agricultura não é para fraquinhos.

Ou bem podem ir pensando em mudar de ramo profissional.

 

 

O reverso da medalha.

IMG_20200218_162958.jpg

Aproximam-se tempos dificeis.

A crise de que o Presidente Marcelo falou recentemente, a tal crise que ainda não se notava muito no Douro...

Daqui por diante vai notar.

Com o cortar das pontas na vinha, acaba o grosso do trabalho, até a vindima.

Boa parte da mão de obra vai parar, e este ano não há os empregos de verão que muitos colegas arranjavam, porque o trabalho é sazonal mas a vida faz-se todos os dias.

Temo pelas dificuldades que muita gente vai passar.

Antes do confinamento, éramos 23 pessoas a trabalhar.

Durante, o mínimo fomos 7 e o máximo 10.

Presentemente, e já com o trabalho a mingar, somos 14.

Sinto que toda a gente olha para o lado, sinto que há um real receio de ser mandado embora.

Ninguém anda feliz com a perspetiva de ficar sem trabalho.

E nós, somos aquele complemento ao dito pessoal da "casa" nas quintas, chamam se necessário, e em maré de contenção de custos, somos um luxo que se evita.

Não há dinheiro.

Há reduções de benefício, há crise real a espreita, há ansiedade.

Há medo. Muito medo.

Acho que mais do que nunca, o Douro tem que resistir porque por muita mecanização, o Douro é e será as pessoas.

E as pessoas do Douro querem trabalhar.

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