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Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Something magical...

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Rendi-me áquele lugar.

Sinto-me pertença dali.

Não sei se é mistica, ou magia, ou o carinho que vou ganhando a cada regresso.

O facto é que me sinto muito bem ali.

Sinto-me em casa.

E acalento o sonho , já a algum tempo, de tentar reverter a desertificação, de trazer gente, de tornar o lugar conhecido, de mais do que tentar explicar a minha paixão, é provar que tem fundamento, mostrar o que tanto me encanta ali..

É uma pena o abandono a que já vai sendo deixado. Uma pena mesmo.

Certa vez enchi-me de coragem e escrevi um email á Presidência da República, a sugerir uma visita por meio de aferir no terreno a desertificação do interior.

Recebi a resposta do chefe da casa civil, obviamente foi recusada.

O sr. Presidente , a CMTV e os abutres só aparecem quando há desgraça. É certinho.

O sonho continua cá, e no momento certo da minha vida vai materializar-se.

Acredito firmamente nisso.

 

 

 

Paraíso, 29 de Julho de 2020

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Meu querido,

voltei ao campo, tal e qual como te tinha dito, e não cabe nesta carta toda a alegria que sinto por tal regresso.

Voltei a casa, a essa aldeia adorada que tenho como minha e onde me sinto pertença. Parece que nunca cheguei a sair de lá.

Tão bom.

O cheiro do mato rasteiro logo pela manhã, ver a alvorada por entre as arvores, concentrar-me no trabalho e perder a noção de tempo...

A única coisa da qual não senti falta nenhuma foi de levantar de madrugada, já tinha esquecido e custou.

Mas pronto, respirei ar puro, voltei ao trabalho e logo num lugar tão importante para mim. Só coisas boas.

De ti, espero que esteja tudo bem porque está sempre.

Saudades algumas, do teu mau feitio nenhumas.

Beijo.

 

Nostalgia pré-férias

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Porque o caminho faz-se andando. 

E foi nesta paisagem o meu último dia, até ver, como capataz, o último trabalho antes das férias, a última equipa que pude chamar de minha.

Lutei, esperei e ansiei pelo cargo. Sei de sobra que não correu bem mas é incrível pensar nos últimos seis meses e pensar: consegui.

Valeu a pena a espera. Se valeu.

Ganhei calo, experiência e algum sangue frio. Ganhei conhecimento, tornei-me conhecida, conheci lugares e tornei-os pontos a retornar.

Fiz amigos. E inimigos.

Provei a mim mesma que sou capaz, que o caminho se faz andando e que a experiência se conquista.

Foi só a primeira etapa de muitas.

Agora é esperar pela vindima!

 

A mãe, por todo o lado

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Sou orfã  de mãe.

Ela tinha 36 anos e eu 5 dias de vida quando deixou de ser o meu colo para ser o meu anjo da guarda,até hoje e provavelmente para sempre.

Sempre soube da verdade. Apesar de ter tido uma mãe de carne e isso para me criar e lhe dar uma valente trabalheira, a minha mãe mesmo estava no cemitério.

Foi isto que me foi incutido desde que me lembro.

Mas nunca foi assim que eu vi o assunto e é a primeira vez que falo nisto.

A ideia de mãe para mim é repartida por duas, ou melhor ultimamente por três. 

O certo é que me foi apresentado um retrato de uma senhora, de quem herdei o formato dos lábios, o nariz e o queixo e alguns trejeitos, diz quem a conheceu.

A minha mãe. 

Pra mim a minha mãe estava em casa, grávida do meu mano mais novo...mas disse que eu não tinha vindo da barriga dela.

Então mas eu vim de onde? Ah...

Foi assim que entendi o real significado da maternidade. Aos 6 anos.

Acho que vem desta história a relação tão próxima que tenho com o misticismo. Era lá que estava a minha mãe, sentir o amor dela é algo místico, já não é terreno..

Por isso a tomei como anjo da guarda. Constantemente sinto uma presença, uma segurança, uma paz lá no fundo de " nada temas que estou aqui".

Sinto-a por todo o lado. Parece que a natureza fala por ela, me reconforta e afaga como ela não pode fazer.

Nunca me sinto realmente só, e espero que ela esteja por aí, por perto.

Posso não ter tido o colo mas tive colo.

Fez-me falta. 

Mas pronto...

A vida é mesmo muito irónica.

 

 

 

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