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Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

O despeito.

Mary, 06.07.20

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Reencontrei-o por mero acaso na rua.

Foi a primeira vez que realmente lhe tirei as medidas, foi a primeira vez que o olhei de alto a baixo, foi a primeira vez que me dignei a olhar pra ele como deve ser.

Caramba.

Relembrei a noite que passei com ele...

Foi épica, sem dúvida.

E os sinais de que não ia haver um depois, foram mais do que muitos.

E eu vi, mas só acreditei quando se despediu de mim.

Aquele beijo na cara, comparado com o beijo arrebatador na boca com que me recebeu, foi como gelo na minha carne ainda em brasa.

O silêncio nos dias seguintes, só confirmou o que eu já sabia..

One night stand.

Ele não me falou, nem pra mim olhou, prefiro pensar que não me reconheceu, estando eu coberta de poeira do trabalho...

Cada um tem a importância que se lhe dá!

Aquela noite até nem foi assim tão boa...

E ele até nem é assim muito jeitoso...

Mas por carga d'água fui eu para a cama com aquilo?

Oh carência..

 

 

A zona de conforto

Mary, 30.06.20

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Teve que ser.

Há renda a pagar, é preciso comer...

Teve que ser.

Tomara eu que tivesse mais semanas assim...

Experimentar outra profissão, ainda que por uma semana, nesta altura em que o trabalho escasseia é uma sorte.

Embora seja a fazer o lugar de outra pessoa que está de férias, o que é sempre ingrato, principalmente quando é a primeira vez.

Descobrir os lugares das coisas, a maneira como querem que o trabalho seja feito...

Não está a ser fácil, admito.

É trabalho doméstico, ok, mas há muita maneira de o fazer e todas elas são corretas...

E depois é toda uma aprendizagem para apenas 5 dias. Não, não há a miníma hipótese de ficar...

Mas o que estou a aprender agora ainda pode dar jeito no futuro...

Consegui ser feliz a lavar panelas e a ouvir rádio, depois o tempo meteu prego a fundo e quando dei por mim já era meio dia e eu atrasada...

Desde que saí de casa dos meus pais que limpezas e arrumação tem sido unicamente a la mi manera...já me tinha esquecido o que era levar um ralhete po causa de tarefas domésticas.... :D

 

O resto é cansaço.

Mary, 17.06.20

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Fim do dia.

Queria-te aqui, o meu pijama dos minions amarrotado pelo teu abraço, o teu perfume fundido na minha pele, a minha mão perdida pelo teu cabelo.

Queria-te assim, companheiro, cansado do dia e terno da saudade, com o pensamento a seguir as mãos, que me massajam o corpo e reconfortam a alma.

Queria o encosto do teu peito ao invés do sofá, a tua voz a ecoar pela sala sem precisar do ruído de fundo da tv. Queria-te aqui , mas não era por capricho ou somente porque sim. Tudo tem uma razão de ser e hoje era poder adormecer a sorrir nos teus braços.

Está tudo bem, não te preocupes.

Há algum desânimo mas,

o resto é cansaço.

 

Tem calma, o amor salva...

Mary, 06.06.20

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Quero fugir.

Levar-te comigo, aviar as malas, fazer planos pelo caminho.

Quero ter tempo para ti, voltar a sorrir, sem saber o que me espera mas com o reconforto de não ter nada a perder.

Sentir o entusiasmo do recomeço, olhar para ti com olhos de ver, olhar-te e desejar-te na hora, num local qualquer, sem desculpas, só desejo, só nós...

Olhas para mim e sinto-me uma vela apagada pelo vento, assim, inesperadamente.

Tu bem tentas acender-me de novo, mas há sempre uma brisa que me apaga, há sempre algo nos estraga...

Vejo-te fugir de mim e o desespero aumenta. Vejo tudo desmoronar, vejo a força sucumbir, mas não é isto que eu quero.

E algures nos destroços de tanta coisa perdi a vontade de viver.

É aí que chega o teu abraço, a tua teimosia, é como a reserva dos carros, ainda dá para um bocadinho, mas eu não te quero perder, prefiro largar tudo, ter o tempo que tanto me pedes e a vida impede porque o pão não se ganha aos beijinhos mas sem beijinhos não dá o mesmo gosto ganhar o pão...

Encontro-te na beira da estrada, como em jeito de despedida. Beijas-me pela última vez, prometes reencontrar-me e não demorará muito.

Faço-me ao caminho, pela primeira vez sem ter medo por não saber exatamente o que me espera, somente a adrenalina do desconhecido.

Sem ti.

Até que ponto te permites ser livre?

Mary, 22.05.20

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Até que ponto tens medo de levantar âncora, mudar de vida, pegar nas armas e bagagens e seguir?

Até que ponto tens coragem de seguir os teus sonhos?

Se é que ainda os tens...

Até que ponto és capaz de dizer foda-se ao que não te serve, ao comodismo, ao politicamente correto?

Quão estás longe do que idealizaste para ti?

Lembras-te do que já quiseste ser?

Não achas que mereces algo para lá da dita rotina, rota do uso, sabida de trás pr'a frente, decorada de cor...?

Olha em frente, olha para ti e diz-me...

Onde deixaste de querer?

Ainda sabes que podes voar?

Até que ponto te permites ser livre?

Porque ás vezes não dá.

Mary, 18.05.20

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Estou cansada e sem vontade de sorrir.

Pesa-me o cansaço do dia que já percorri e o que ainda falta. Pesa-me as coisices dos outros e as minhas. Pesa-me o mundo nas costas.

Sinto-me só.  Dá paz mas é tão triste.

Há uma serenidade na tristeza que é quase mórbida. A tristeza não é momentânea, como a raiva. É companheira, vai ficando.

Se a alegria sabemos que é efémera, a tristeza parece infinita. E vai embora mais depressa do que se espera. Felizmente.

Não me apetece regatear abraços ou conversas. Só quero estar assim, na minha, sossegada, a ver se aparece uma inspiração súbita para o jantar.

Está tudo bem. Estou só cansada.

A dita ironia.

Mary, 17.05.20

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O dia está bonito, pus um vestido bonito e acho que me ias gostar de ver com ele. 

O que eu não dava para te ver hoje, barbeado e arranjado, a cheirar a perfume ao invés do cheirinho a sovaco e a tabaco do costume.

Mas ao domingo nunca me queres ver.

Falas em descanso, que precisas de dormir e que temos muito tempo para andar aos beijinhos.

Se fosse daquelas que se arranja para o dito cujo, andava sempre desgrenhada.

Depois pico-te, tiro foto e publico como quem não quer a coisa, como se eu não quisesse que vejas e aplaudas e arranjes desculpa para me tirar o dito vestido de cima e acabes ou por cima ou por baixo.

Mas ao domingo nunca dá.

Mas há sempre quem me veja, e te vá dizer que me viram muito arranjada e para teres cuidado.

É domingo,só queres paz e sossego.

Segunda-feira tratas do assunto, segunda-feira já é dia de me querer.

E na segunda-feira quem não te quer sou eu.