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Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

Já tenho cebolas!

Uma nova fase da vida, um velho amor.

A gravidez

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Calma, não estou grávida.

Mas estava entusiasmada com um bebé que aí vinha, ajudando no que pude, como pude, vivendo um bocadinho essa fase tão mágica para qualquer mulher.

Depois chegou a mensagem.

E caiu-me tudo.

A gravidez ainda era recente, sabíamos que havia esse risco mas...

A felicidade era tanta que nunca pensámos no pior.

Mas aconteceu.

A terrível notícia do aborto espontâneo...

Resta tentar reconfortar, continuar cá para o que der e vier.

E superarmos a perda..

Que dia...

 

porque esta noite queria ter-te aqui

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Não vale a pena andar com floreados.

Sentir falta de alguém importante é complicado de gerir.

Parece que de repente tudo faz lembrar a pessoa, tudo nos leva até ela, relembra dela...

Daí a surgir a saudade é um instante.

E quando o afastamento é súbito, tentar perceber a razão.

Será que a culpa foi maioritariamente nossa?

Será?

A mente bloqueia, o coração não entende, o universo não ajuda...

E eu só queria ter-te aqui.

Olhar-te nos olhos para te poder enfim entender.

Pedir desculpa e envolver-te num abraço, choramingar de alívio e acabarmos a gargalhada pela figurinha.

Acabar a noite perdida de mim e cada vez embrenhada em ti, nas tuas certezas, nas tuas curvas...

Amanhecer contigo ao lado e ter a certeza de que já passou.

Mas não, ainda não passou.

E eu não sei que faça...

Só sei que te queria ter aqui.

 

O tormento

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Mais um incêndio. 

A paisagem noturna ontem era assustadora.

Duas linhas de fogo, mais a que não se vislumbrava do lado de cá, por sinal, a maior.

Toda a gente em pânico.

Toda a gente perdeu haveres para o fogo.

O ar era irrespirável, logo pela manhã. Em conjunto com o calor, tornava o trabalho quase um sacrifício.

Não se via mais do que 200 metros a nossa frente. Vários reacendimentos.

Não sei o porquê, sei que raro é o ano em que uma das fragadas que delimitam o vale, arde. E lá volta a repetir-se o tormento e sobretudo, lá volta o luto a paisagem.

Gostava de perguntar a quem ateia fogos, o porquê.

Não entendo.

Trabalhar na natureza tem-me feito entendê-la, e cada vez mais, respeitá-la.

Devia ser mentalidade geral. 

Todos respiramos o mesmo ar. É não esquecer isso.

Quando a saudade bate a porta

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Preciso de ti.

Preciso de ti como do ar para viver, ou das pernas para caminhar...

Nada disto faz sentido.

Assim, agora...

Este vazio faz doer até a alma.

Esta saudade mata-me por dentro.

Mas quem sou eu para te pedir para voltares?

Que direito tenho eu disso?

Nunca chegou a ser mais do que a nossa cena estranha..

Mas...

Merda!

Eu amo-te....

E de repente tornaste-te o sentido.

E de repente tornei-me eternamente responsável por aquilo que cativo.

 

E eu, sempre tão segura de mim...

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E eu, tão jovem, esbanjadora de saúde, resistente a calor e frio, capaz de segurar a bexiga dias inteiros, comer porcaria sem se notar na pele e no físico. E eu, essa força da natureza indestrutível, inolvidável, corajosa e indomável, capaz de dobrar preconceitos e estereótipos.

E eu sempre tão segura de mim...

Afinal sou humana e também falho. E essas falhas estão a apagar muito do que conquistei. Stress que causa mais stress.

Falhas de memória e um cansaço quase crónico, o quadro é este. Se não usasse método contraceptivo até podia pensar em gravidez e mesmo assim sei lá...

Ando preocupada. Não me sinto com cabeça para nada, são problemas atrás de problemas. 

Lutei tanto para construir uma reputação quase imaculada profissionalmente e agora vejo tudo a ir-se, assim. Parece uma espiral sem fim.

E eu, tão segura de mim...tão perdida sem saber o que se passa. :(

Porque ás vezes não dá.

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Estou cansada e sem vontade de sorrir.

Pesa-me o cansaço do dia que já percorri e o que ainda falta. Pesa-me as coisices dos outros e as minhas. Pesa-me o mundo nas costas.

Sinto-me só.  Dá paz mas é tão triste.

Há uma serenidade na tristeza que é quase mórbida. A tristeza não é momentânea, como a raiva. É companheira, vai ficando.

Se a alegria sabemos que é efémera, a tristeza parece infinita. E vai embora mais depressa do que se espera. Felizmente.

Não me apetece regatear abraços ou conversas. Só quero estar assim, na minha, sossegada, a ver se aparece uma inspiração súbita para o jantar.

Está tudo bem. Estou só cansada.

O dia a terminar...

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E que dia.

Cheio de vistas bonitas, de gente simpática, de aconchego.

De sorrisos.

De muito mistolin e um gingado de ancas esquisito, ao som duma banda sonora que vai do rock indie ao perreo, mas que se lixe, a casa está mais bonita.

Agora preciso de limpar as ideias, mas aí não há mistolin que me valha.

Isto anda mau: duas entradas diretas para o arquivo morto, as duas hipóteses que tinha em aberto. Logo assim, tau.

Um, ficou assustado quando lhe pedi repeat da noite.

O outro abalou lá para terras gaulesas com a dita ex namorada que afinal ainda não é tão ex assim.

O badoo anda muito rasca até para o nível do badoo.

Mas pronto.

Valha-me uma boa noite de sono, bem dormida  e bem sonhada.

Até amanhã :)

 

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